Infotec: A existência no Brasil de uma nova política industrial tende a beneficiar as PMEs que querem investir em inovação?
Maria Elena: A existência de políticas industriais logicamente beneficia as PMEs que querem investir em inovação, embora sejam necessárias políticas específicas que possibilitem a evolução de um sistema produtivo baseado na ação coletiva e no conhecimento mútuo. Do ponto de vista das pequenas empresas de tecnologia, as áreas escolhidas pelo governo para serem estimuladas pela política industrial que está surgindo têm realidades diferentes. Nas áreas de softwares e de fármacos, por exemplo, há muita coisa boa sendo feita e que merece ser estimulada. Mas na área de semicondutores, tenho dúvidas se valeria a pena investir muito, pois trata-se de tecnologia muito alta, na qual o Brasil está bem atrás dos países de ponta, por um produto que, no final, sai barato. Deve se considerar que em vez de investir tanto nisso, fosse melhor simplesmente comprar o produto pronto da China, mas por outro lado deve-se pensar em achar uma solução para o déficit da balança comercial do setor eletro-eletrônico, prejudicado pelo alto valor das importações basicamente de semicondutores.
Infotec: O que a sra. sugere às pequenas e médias empresas empenhadas em inovação tecnológica?
Maria Elena:Uma adequada gestão da tecnologia constitui-se em uma chave para o sucesso de uma PME, e essa tecnologia pode ser gerada tanto interna quanto externamente. Eu sugiro para as PMEs empenhadas em inovação tecnológica, e cujo objetivo é se manterem competitivas e conservar a sua posição no mercado, que favoreçam a pesquisa e o desenvolvimento próprios, para assim obter vantagens adicionais àquelas oferecidas pelas concorrentes. Quem tem tecnologia própria pode oferecer maior velocidade na entrega, mais rapidez nas mudanças de inovação e até o aumento do número de inovações incrementais. As vantagens são muitas.