A taxa de inovação da indústria brasileira é de 31,5%, muito abaixo dos 60% apresentados pela Alemanha, e está concentrada nas empresas de grande porte. Os dados foram divulgados durante o Fórum de Inovação Tecnológica da Região Sudeste, promovido na última segunda-feira, 30 de setembro, pela Financiadora de Estudos e Projetos - FINEP.
"De um universo de 72 mil empresas nacionais do setor industrial, constatamos que 22,7 mil realizaram ao menos uma inovação entre 1998 e 2000. Foi assim que chegamos à taxa de 31,5%", explica Ronald Martin Dauscha, presidente da Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras - ANPEI. Os números estão no estudo "Como alavancar a inovação tecnológica nas empresas", produzido este ano pela ANPEI e apresentado durante o Fórum.
Outra dado importante: a taxa de inovação tende a ser mais elevada entre setores "não-tradicionais", como informática (69%) e eletrônica e telecomunicações (63%). Para os chamados setores "tradicionais", a pesquisa registrou apenas 29%.
Pequenas e médias ainda inovam pouco
"Em geral, os diagnósticos sobre as principais causas das deficiências em pequenas e médias empresas limitam-se à identificação de gargalos tecnológicos. Mas, mesmo quando esses problemas são superados, a inovação não ocorre", diz Dauscha. "Além disso, verificamos que as políticas horizontais, como é o caso das concessões de incentivos fiscais, não funcionam por si só", acrescenta.
Segundo o presidente da Anpei, as pequenas e médias têm de promover mudanças em todos os fundamentos dos seus negócios, começando pelo comportamento em relação ao mercado. O diagnóstico feito pela entidade, a partir da avaliação de arranjos produtivos locais, é de que essas empresas não conhecem de fato os mercados em que atuam, seguindo cegamente os passos das grandes empresas.
"A saída é fazer com que atuem em nichos. Para que isso seja possível, a pesquisa de mercado é fundamental, pois abre um leque de opções para as pequenas e médias. E aí a possibilidade de inovação aumenta. As empresas, por exemplo, passam a buscar o apoio das instituições de pesquisa e das universidades", explica Dauscha.
De acordo com o estudo, a pesquisa de mercado - e outras formas de assistência especializada - podem ser realizadas por centros locais de inovação integrados aos arranjos produtivos locais.